Éder Jofre: 60 anos do primeiro título mundial



Um dos maiores esportistas brasileiros, o ex-boxeador Éder Jofre foi homenageado pelo Jornal Nacional na sua edição de 17/11/2010 pelos então 50 anos da conquista de seu primeiro título mundial (agora 60 anos). Atleta ligado ao São Paulo Futebol Clube, também recebeu uma bela homenagem do clube.


Na reportagem e já nos altos dos seus 74 anos Éder Jofre parecia não esquecer os movimentos que aprendeu ainda garoto.


"O boxe pra ele nunca foi apenas um esporte. "Tem a arte de boxear, bailar, de se movimentar dentro do ringue, como uma dança, uma coisa bonita", explica o campeão. Nos anos 50, ele precisou derrubar mais de 30 rivais para conseguir a chance de disputar o título mundial, algo que parecia impossível para um país sem tradição no esporte como o Brasil. A luta, que valeu o cinturão na categoria dos galos, até 54 quilos, ocorreu em 18 de novembro de 1960. Exatamente 50 anos atrás. O rival era o mexicano Eloy Sanchez. Hoje ele tem 75 anos e viajou ao Brasil a convite de nossa reportagem para visitar Éder. Foi tudo surpresa. Os dois frente a frente em um ringue novamente, meio século depois. "Homem de Deus, o que aconteceu?", diz Éder em espanhol, incrédulo, para depois abraçar o mexicano. O encontro ganha ainda mais emoção quando mostramos a eles imagens da luta. Foi um combate equilibrado, até Éder mandar Eloy à lona no sexto assalto. "Você não calcula a alegria, a satisfação, que tive ao vencer o Eloy Sanchez", afirma Éder. "Não pude chegar a campeão do mundo, porque esse rapaz aqui tinha golpes incríveis. Estas são mãos de um legítimo campeão", diz Eloy. A vida destes dois atletas mudou muito depois do combate. Éder Jofre ganhou fama mundial e é lembrado até hoje como um dos maiores da história. Já Eloy Sanchez nunca mais teve chance de lutar por um grande título. Mas não guarda remorso. A dor da derrota deu lugar a um profundo sentimento de respeito e admiração. "Sempre que me perguntam sobre Éder Jofre, digo que tive muito orgulho de tê-lo enfrentado, pois foi o maior, o melhor que já vi", reconhece Eloy. Numa cena comovente, Éder mostra ao colega o cinturão que disputaram naquela noite e o recebe de volta, abençoado com um beijo. Eloy perdeu a luta, não o espírito esportivo. Para ele, o título está em boas mãos. Mãos de um legítimo campeão."


Créditos: Jornal Nacional